Missão: arrumar um emprego em Londres

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Ju e eu, garçonetes em Londres

 

Então, a felicidade era imensa: conhecer novos lugares, novas pessoas, novas realidades e culturas. Mas a realidade era que o dinheiro que tinha guardado só dava para morar em Londres por 2 meses sem trabalhar.

Como eu imaginava, tudo em Londres é muito caro. Com a quantidade de coisas novas para fazer, o dinheiro acaba rapidinho. Sem contar que quando mudamos para Londres, a taxa de troca era quase R$4 por 1 pound (moeda do Reino Unido) e o dinheiro brasileiro não vai muito longe. Minha missão então era: arrumar um emprego desesperadamente.

O visto de estudante só permite que você trabalhe por 20h por semana. Além disso,  tínhamos aulas de 8h da manha às 5h da tarde, três vezes por semana. Não existiam muito empregos que eu poderia arrumar. Comecei a procurar nos sites indicados por brasileiros – como Gumtree – e a maioria das oportunidades eram de garçonete, barista ou faxineira. Como eu não tinha muita opção, mandei meu currículo para tudo o que havia disponível.

O melhor foi ter que escrever um currículo contando das minhas ‘experiências’ como barista e arrumadeira no Brasil. Inventei que tinha trabalhado num hotel e no bar e restaurante da mãe de uma amiga no Brasil e que sabia vários coquetéis- não acreditei quando consegui uma entrevista!

O gerente me perguntou: “Quais coquetéis você sabe fazer?” Eu falei: “Vários! Provavelmente você não saberá quais, porque só tem deles no Brasil, mas creio que já ouviu falar de caipirinha? (esse era o único coquetel que eu realmente sabia fazer). Não me pergunte como,  mas consegui que ele me desse um período de experiência para que eu mostrasse o que eu sabia fazer. Em 4 horas de trabalho, eu teria que apresentar todos os coquetéis que eu sabia. Bom, meu primeiro cliente me pediu uma garrafa de vinho tinto, que eu não consegui abrir porque era de rolha – e eu nunca tinha feito isso na minha vida! Conclusão: não fui chamada de volta!

Então, fui convidada para servir de garçonete numa festa bem chique com uns 200 convidados. Falei que já tinha feito trabalho similar no Brasil e eles me deram uma chance! Quando você serve nessas festas no Reino Unido, todos os garçons têm que servir ao mesmo tempo e carregar três pratos de cada vez. Pra não fazer feio, eu falei com a coordenadora que os pratos eram muito pesados para mim e que eu prefira levar só dois de cada vez. Ela falou que tudo bem e eu fiquei aliviada. Mas aí cometi o erro de retirar o sal e pimenta da mesa na hora errada e ganhei um esporro equivalente a ter quebrado o prato extra que eu tava com tanto medo de carregar.

Numa outra tentativa, fui chamada para uma entrevista para trabalhar no café do prédio onde fica a Unilever em Londres.  O meu sonho de consumo sempre foi trabalhar em Marketing para Unilever quando ainda estava no Brasil. Quando tive a chance dessa entrevista, peguei meu currículo verdadeiro – experiências que tive no Brasil – e levei para entrevista para tentar conseguir um emprego em Marketing. Entreguei para o entrevistador e falei que eu gostaria muito de uma oportunidade de trabalhar em Marketing na empresa deles. O entrevistador me olhou como se eu fosse louca e disse: a vaga que temos é para servir na lanchonete. Aceita? Fiquei com tanta vergonha que fui embora e não respondi ao e-mail que eles me mandaram.

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As meninas do “Apt Bar”

Depois de tentativas frustradas, mas sem desistir, consegui uma entrevista num bar no centro da cidade. Quando cheguei lá, conhecei o Eduardo, que também era brasileiro, e de cara falei: não tenho a menor ideia do que eu tenho que fazer. Nunca trabalhei em bar ou restaurante no Brasil mas vou dizer que já fiz. Ele falou: “Sem problemas, eu te ajudo”. Gracas a ele, consegui o emprego e ficamos grandes amigos.

Trabalhei no “Apt Bar” por quase 1 ano e meio. Lá eu fiz grandes amizades e me diverti bastante. Trabalhava até altas horas da madrugada nos finais de semana, o que me fez chorar algumas vezes.  Mas mal eu sabia que esse emprego iria mudar minha vida para sempre…

 

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Família “Apt Bar”: bons tempos!

 Versão em inglês (In English)

Mission: Finding a job in London!

Once upon a time, there was only happiness: visiting new places, meeting new people, experiencing a new culture. But after arriving in London, the reality was that the money I had saved would only last me 2 months.

As I imagined, everything was very expensive in the UK and the exchange rate wasn’t working in my favour: with 4 reais to the pound, my savings wouldn’t last long. So the mission was to find a job desperately.

My student visa only allowed me to work 20 hours per week, as I was a full time student 3 days a week. There were not many jobs I could do apart from hospitality. So I went to Gumtree and applied for every single job from cleaner to bartender and waitress.

The best part was creating a CV that recounted my ‘experience’ in Brazil where I described my previous employment as bartender, waitress and cleaner in a hotel. Well, this little white lie got me an interview!

During the interview, the manager asked: “So what cocktails can you make?”. I said: Lots but they are only famous in Brazil. But you probably heard of caipirinha”. I’m not sure if I am a good liar but he gave me a trial shift. The task was to show him in 4 hours which cocktail I could make. My first customer asked me for a bottle of red wine and I couldn’t remove the cork – as I had never done that before in my life! Needless to say… I wasn’t invited back.

So I was invited to work as a waitress in a posh party for 200 people. Most of the ‘experienced’ staff have to carry 3 plates at the same time so all guests get the food together. I said to the supervisor I couldn’t do it because the plates were too heavy and she said it was ok. I was relieved I wouldn’t make a clown of myself dropping a plate. However, the supervisor got super angry at me when I removed salt and pepper from the table at the wrong time. Perhaps I should have had a go at carrying the 3 plates in the first place!

In another opportunity, I was called to an interview to work at Unilever’s canteen in London. I was so excited as I always dreamed about working in Marketing for Unliver when I was still in Brazil. I thought: “I’ll take my real CV – with my Brazilian experience – and ask them for an opportunity to work in their Matketing team”. The manager that was interviewing me and saw my CV looked at me as if I was crazy and said: “ The position available is to work in the canteen. Fancy it?” I was so embarrassed that I left and didn’t even reply to the email they sent to me later that day.

After all my frustrated attempts but without giving up, I got an interview in a bar in central London. When I got there, I met Eduardo who was also Brazilian, and I said: “ I never worked in a bar before and I’ve got no idea of what to do”. He said: “No worries, I can help you”. Thanks to Eduardo, I got the job and we became friends.

I worked in Apt Bar for almost 1,5 years. I made lots of friends and had a great time. I worked until late hours during weekends, which made me cry sometimes. But what I couldn’t imagine is that this job would change my life forever!

 

 por Marcela Rigg

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Recém chegada à casa dos 30, estou sempre em busca de novas aventuras, carioca, mas moro atualmente em Melbourne – Austrália. Apaixonada por música, livros, fotografia e viajar. Formada em administracão e trabalhando em marketing, adoro criar coisas novas e fazer da vida algo interessante. Motivada por: “Saia da sua zona de conforto”

 

 

 

 

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A Rainha do meu Lar

57910_263799770411904_1877866377_nApós tantos posts, não preciso mais fazer introdução sobre minha vidinha marota. Todo mundo já sabe que eu tenho 30 anos e um marido que sofre no blog.

Depois de um tempinho de casada, nós já sabemos de todas as coisinhas que deixam o casal na maior plenitude do lar e aquelas que nos fazem querer assinar a certidão de divórcio na mesma hora.

No meu primeiro texto, contei sobre a briga da louça na pia (fato comprovado de porrada lá em casa), mas como todo bom casal, temos outras mil coisas que nos irritam…

Não lembro se já contei, mas sempre fui muito filhinha da mamãe e da pior espécie: mamily sempre fez meu sanduichinho maravilhoso para eu tomar café da manhã no trabalho e assim, não me atrasar ao sair de casa. Minha única obrigação era lavar minhas calcinhas (quando eu lembrava)… Preciso dizer que essa minha criação de princesa da Disney daria merda quando eu casasse? Acho que não, né? Continuemos…

Meu marido pode até chiar ao ler isto, mas ele também foi criado igual a um reizinho, o que fez com que nós dois aprendêssemos muitas coisas juntos, como por exemplo, como se liga a máquina de lavar entre outras que me dão até vergonha de escrever.

Todo sábado era um inferno! O macho alfa cismava de arrumar a casa da maneira mais profissional possível. Eu simplesmente odiava perder todo meu sábado fazendo um tipo de trabalho que eu não levo o menor jeito.

Logo que voltamos de viagem, o maridão foi categórico: “Bruna, amada esposa (essa parte eu inventei), você prefere que gastemos dinheiro com TV a cabo ou diarista?”. Juro que nunca respondi algo tão rápido na minha vida! Óbvio que foi a diarista.

Depois de várias operações aritméticas, percebemos que era possível ser feliz aos sábados, domingos, feriados e dias de semana também! Eliete, a doce e amada diarista indicada pela mamãe, entrou em nossa vida da forma mais sublime que eu poderia imaginar e eu amo muito essa mulher!

No primeiro dia, ela demorou quase 10 horas arrumando toda nossa bagunça acumulada de semanas e saiu com uma carinha tão cansada, que eu achei que ela desistiria de nós, mas graça a Deus, ela é brasileira e não desiste nunca e acabou voltando após 15 dias (tempo suficiente para nossa rainha recuperar as forças nos braços de tanto que limpou).

Eliete chegou para arrumar nossa casa e manter nosso casamento em dia, pois casa limpa, casal feliz!

Toda vez que digo pro meu marido, que quem manda em casa sou eu, ele diz: “Bruna, você sabe muito bem, que quem manda aqui em casa é a Eliete!”

Por Bruna d’Avila

 
30 anos. Casada com o melhor amigo de adolescência. Geminiana convicta e extremamente curiosa. Assumi a responsabilidade de escrever sobre casamento, mesmo com apenas 1 ano de experiência, mas prometo me esforçar para não fazer feio com as amigas.

 

A saga da amamentação

posiçoesamamentacaoAo longo do processo evolutivo das espécies, nós, seres humanos, mas ainda mamíferos, aprendemos e desaprendemos muitas coisas.

Um dos temas mais polêmicos para as mães e gestantes é a amamentação. Todo mundo fala sobre o assunto mas sempre tem uma coisinha lá no fundo que fica escondida no íntimo… nem dá vontade de lembrar…. afinal, como justo EU, não seria igual às lindas atrizes que amamentam sorrindo e felizes, os bebês super gordinhos, dormindo tranquilos! Ai, parece que só com a gente não é assim e confessar isso para os outros parece até sinal de fracasso numa situação que deveria ser tão óbvia!

Amamentar não é fácil não… na minha primeira filha, fui toda feliz, peguei a bebê e tasquei no peito! Me senti uma leoa amamentando o filhote e sinceramente achei que o instinto falaria mais alto! Mas não… eis que ela chorava, dormia pouco, dava peito toda hora e de qualquer jeito, no final tcharam: os mamilos rachados, sangravam muito, eu amamentava chorando! O pior é fazer isso em local público quando todos se voltam para ver e opinar (e criticar!!!). Sempre que ela queria mamar, ia chegando para trás e minha mãe vinha e dava um empurrão! Era uma dor que nem sei explicar… pior ainda é a dor de não dar tão certo quanto deveria. Depois de insistir, as coisas ficaram melhores mas ela demorou até dormir bem. Acho que só consegui isso ao introduzir outros alimentos quando já estava com uns 5 meses.

image001Na minha segunda filha a experiência foi outra. Já me preparei desde o início, li tudo sobre amamentação, fiquei expert! Toda confiante estava e eis que… o leite não descia por nada no mundo! Coloquei spray nasal, homeopatia, entulhos de canjica e nada! A bichinha perdendo peso, sem dormir e a médica entrou com o famoso “complemento” (LA – leite artificial). Fiquei meio desiludida mas depois de ver que ela tomava o LA e dormia toda fofa, além de me deixar fazer as tarefas de casa (isso mesmo, as mães que amamentam precisam de babá, ajudante ou qualquer ajuda porque ficam reféns dos bebês no início – eles mamam quando querem e até ir ao banheiro é difícil). Aí vinham as críticas e os apoios… um povo da família dizia que a criança ia ter um monte de problemas porque não mamou no peito, outro monte, inclusive minha avó, apoiava dizendo que a mulher sofre demais e isso é besteira! No final, vejo que a Alice está super bem, menos alérgica que a Bia que mamou no peito, não estranhou a introdução de novos alimentos (e consegui dar comida para ela na boa!!! A Bia sentia o cheiro do leite, só queria peito e outra pessoa tinha que me ajudar na papinha! Foi um sufoco).

 Resumindo meninas: tive contatos com algumas amigas mães que amamentaram de boa (sempre com um pequeno desconforto no início, mas elas sempre tinham alguém para ajudá-las com alguma tarefa de casa, fazer uma comida, ficar com o bebê para ir ao banheiro e em geral não tinham outros filhos pequenos). Também tenho histórias de mães que não conseguiram amamentar, sofreram horrores, choraram, como se fossem menos mães porque davam mamadeira…. pura besteira! Os comerciais na TV são lindos mas todas sabemos que na prática não é assim. E cada um com seu cada um! Ninguém tem que se sentir menos porque não amamentou. Lembro que cheguei no escritório onde trabalho e contei minha história, com um pouquinho de medo das críticas mas já desencanada, e vi que logo apareceram outras mãezinhas que também tiveram histórias semelhantes mas nem sonhavam em contar por vergonha e medo das críticas.

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 A verdade é que a evolução estabeleceu algo novo para nós…. nosso vínculo com nossos filhotes é eterno e independem do amamentar. Os animais precisam disto, só têm esta alternativa de alimentação para sobreviverem e é o que conserva a fêmea junto ao filhote até que ele possa ficar só. Não fosse isso e eles seriam abandonados à própria sorte e não sobreviveriam. Podemos ser considerados os únicos mamíferos que falham nesta tarefa, mas também somos os únicos que conservam os vínculos de AMOR por toda a vida!

 Tomaram coragem? E vocês, o que têm a dizer sobre sua experiência com a amamentação?

No próximo post, outro assunto polêmico!!! O sexo na gravidez, pós parto e depois com as crianças!!! Não percam!!! 🙂

por Clara Olivetti

clara

Correndo com as tarefas de casa, trabalho, estudos, marido e filhotas! Ah, e sem esquecer do tempinho para os treinos de luta, unha, cabelo e creminhos. Tudo isso sem babá?  Impossível? Claro que não! Sou a mãe da Bia de 8 anos e da Alice de 6 meses. Vou dar dicas legais que podem ajudar as mamães. Afinal, ser mãe é bom demais!