E às vezes a vida te prega uma peça

friendsTrabalhando no “Apt bar” eu tive a oportunidade de conhecer pessoas de várias nacionalidades. Às vezes era bem difícil de entender o que as pessoas falavam, mas era uma oportunidade de treinar meu inglês e de me acostumar com os diversos
sotaques.

 

Algumas noites, depois do trabalho, o pessoal do Apt saía junto para tormar uma bebida ou ficava no bar depois da hora conversando. Um dia, depois de uma jornada de 11 horas de trabalho, minha amiga Genet e eu decidimos ficar até o bar fechar. Já era 1h da manha, mas o bar só fechava às 2h, então ainda dava pra aproveitar um pouquinho.

Quando a Genet foi fumar na área de fumante, eu resolvi ir com ela e eis que repente, um rapaz começa a a conversar conosco e perguntar se nós tínhamos um isqueiro. Eu falei que eu não fumava e ele perguntou se poderia nos pagar uma bebida. Eu retruquei: “Não, eu não aceito bebida de estranhos!”, mas minha amiga falou: “Claro. Eu gostaria de uma dose tripla de gin com tônica por favor”. O rapaz ficou chocado com o pedido, mas não poderia negar. Depois de muita discussão, eu acabei aceitando um chopp.

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Então, do nada, eu começo a conversar com o rapaz, que estava meio bêbado  e bem nesse momento, minha amiga resolve desaparecer e nos deixar sozinhos. Eu digo para o rapaz: “Eu vou ao banheiro e depois nos falamos”, mas meu objetivo era mesmo desaparecer de vista. Meia hora depois, lá estava ele me seguindo novamente. Até os seguranças, que eram meus amigos, perguntaram se eu queria que ele fosse colocado para for a do bar. Eu falei: “Não tem problema não porque ele não fez nada de tão grave”.

 

Como ele estava meio bêbado,  pediu que eu desse o numero do meu telefone para ele a fim de marcarmos um encontro numa outra ocasião. Eu pensei que poderia dar certo, mas estava com medo que ele fosse um psicopata. Então, acabei dando o meu número antigo e quando ele tentou me ligar e não funcionou, falou: “Se não quiser me ver novamente, não precisa fingir que me deu o tel, mas dar o numero errado é sacanagem”. Ele não acreditou que o número que dei era realmente meu número antigo.

 

No dia seguinte, ele me convidou para um encontro e nós passamos um dia maravilhoso juntos: me levou numa exposição que eu estava doida para ir, mas não podia pagar, me convidou para um ótimo almoço, que eu fiz questão de pagar minha parte, mas também não tinha dinheiro e me levou para passear de barco no rio mais famoso de Londres. Eu só não sabia que esse encontro mudaria meus planos de retornar ao Brasil depois de 1 ano e 5 meses morando em Londres.

Na verdade, era tudo parte de um plano para que eu gostasse dele. E, para ser sincera, acho que o plano funcionou, considerando que já estamos juntos há 6 anos.

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Alguns fatos sobre a noite em que eu conheci o James Rigg:

  1. Ele estava usando tênis e não poderia entrar no club. Então, ele calçou as meias preta por cima do tênis para que ninguém percebesse – e funcionou!;
  2. Ele, na verdade, estava me seguindo quando nos encontramos ‘acidentalmente’ lá fora. Ele me viu subindo as escadas e resolveu me seguir e puxar papo comigo;
  3. Ele deixou os amigos para trás sem avisar para me seguir até lá fora;
  4. Ele tentou me beijar no primeiro encontro e, por isso, os seguranças queriam expulsá-lo do bar;
  5. Ele diz, até hoje, que quando me viu, ele sabia que um dia eu seria sua esposa. E me faz acreditar nisso. E na verdade, nos casamos 1 ano e 5 meses depois.

 In English:

Sometimes life plays with you

Working at Apt bar, I met lots of people from different places. Sometimes I would struggle to understand what they were saying but it was a great opportunity to improve my English and get used to different accents.

Apt staff always used to go out after our shifts or just stay and have a drink until the bar was closed. One day, after an 11 hours shift, my friend Genet and I decided to stay and have a few drinks after work. It was 1h in the morning already and we could manage to get a few before the bar closed at 2am.

Genet went outside to have a smoke and I went with her. Suddenly, this guy starts talking to us, asking if we had a lighter and all that small talk. I said I didn’t smoke and he asked if we wanted a drink. I said no, as I normally don’t accept drink from strangers but my friend said: “Yes, of course. Can I have a triple gin and tonic please?” The guy was in shock but he couldn’t say no to her request. After much of a discussion, I ended up accepting a beer.

I’m talking to this guy – who was completely drunk – and my friend disappears and leaves me there on my own. I said to the guy: “I will go to the bathroom and see you downstairs later” but my real objective was to disappear. 30 minutes later, there he was, following me again.

Even the security men, who were my friends, asked if I wanted to have him throw out.  I said: “It’s ok, he didn’t do anything bad”.

As he was really drunk, he said: “Can I have your number? I really like you and I would like to invite you on a date when I’m sober.” I thought it was sweet but I was scared he was a psycho! I ended up giving him my old number but he tried to call me on the spot and my phone didn’t ring. Then he says: “You don’t need to give me a fake number if you don’t want to see me again”. He didn’t believe I truly gave him my old number by accident.

On the following day, he invited me out to make up for being drunk and silly the night before. He took me on the most lovely date: the exhibition that I really wanted to go but couldn’t afford, for a lovely lunch – that I offered to pay for mine but again didn’t have money for it, and to go on a boat ride on the Thames River. What a lovely day we had together! Only I didn’t know that this date would change my plans of going back to Brazil after leaving in London for 1,5 years.

It was all part of his plan to make me like him. And in all fairness, 6 years later, I believe he did all the right things.

A few facts about the night I met James Rigg:

  1. He went to the club wearing trainers and had to put his black socks on the top of his shoes so he could get in the club
  2. He actually ‘stalked’ me all the way outside – it wasn’t a coincidence he saw us outside. He crossed my path on the stairs and followed me all the way outside – stalker!
  3. He left his friend behind to go and follow me around the place
  4. He tried to kiss me on the first night and that’s why the security wanted to throw him out.
  5. He says – to this day, that when he first saw me, he knew that one day I’d be his wife. He made me believe that.  Now I actually am his wife.

por Marcela Rigg


Recém chegada à casa dos 30, estou sempre em busca de novas aventuras, carioca, mas moro atualmente em Melbourne – Austrália. Apaixonada por música, livros, fotografia e viajar. Formada em administracão e trabalhando em marketing, adoro criar coisas novas e fazer da vida algo interessante. Motivada por: “Saia da sua zona de conforto”.

 

 

 

 

 

 

Missão: arrumar um emprego em Londres

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Ju e eu, garçonetes em Londres

 

Então, a felicidade era imensa: conhecer novos lugares, novas pessoas, novas realidades e culturas. Mas a realidade era que o dinheiro que tinha guardado só dava para morar em Londres por 2 meses sem trabalhar.

Como eu imaginava, tudo em Londres é muito caro. Com a quantidade de coisas novas para fazer, o dinheiro acaba rapidinho. Sem contar que quando mudamos para Londres, a taxa de troca era quase R$4 por 1 pound (moeda do Reino Unido) e o dinheiro brasileiro não vai muito longe. Minha missão então era: arrumar um emprego desesperadamente.

O visto de estudante só permite que você trabalhe por 20h por semana. Além disso,  tínhamos aulas de 8h da manha às 5h da tarde, três vezes por semana. Não existiam muito empregos que eu poderia arrumar. Comecei a procurar nos sites indicados por brasileiros – como Gumtree – e a maioria das oportunidades eram de garçonete, barista ou faxineira. Como eu não tinha muita opção, mandei meu currículo para tudo o que havia disponível.

O melhor foi ter que escrever um currículo contando das minhas ‘experiências’ como barista e arrumadeira no Brasil. Inventei que tinha trabalhado num hotel e no bar e restaurante da mãe de uma amiga no Brasil e que sabia vários coquetéis- não acreditei quando consegui uma entrevista!

O gerente me perguntou: “Quais coquetéis você sabe fazer?” Eu falei: “Vários! Provavelmente você não saberá quais, porque só tem deles no Brasil, mas creio que já ouviu falar de caipirinha? (esse era o único coquetel que eu realmente sabia fazer). Não me pergunte como,  mas consegui que ele me desse um período de experiência para que eu mostrasse o que eu sabia fazer. Em 4 horas de trabalho, eu teria que apresentar todos os coquetéis que eu sabia. Bom, meu primeiro cliente me pediu uma garrafa de vinho tinto, que eu não consegui abrir porque era de rolha – e eu nunca tinha feito isso na minha vida! Conclusão: não fui chamada de volta!

Então, fui convidada para servir de garçonete numa festa bem chique com uns 200 convidados. Falei que já tinha feito trabalho similar no Brasil e eles me deram uma chance! Quando você serve nessas festas no Reino Unido, todos os garçons têm que servir ao mesmo tempo e carregar três pratos de cada vez. Pra não fazer feio, eu falei com a coordenadora que os pratos eram muito pesados para mim e que eu prefira levar só dois de cada vez. Ela falou que tudo bem e eu fiquei aliviada. Mas aí cometi o erro de retirar o sal e pimenta da mesa na hora errada e ganhei um esporro equivalente a ter quebrado o prato extra que eu tava com tanto medo de carregar.

Numa outra tentativa, fui chamada para uma entrevista para trabalhar no café do prédio onde fica a Unilever em Londres.  O meu sonho de consumo sempre foi trabalhar em Marketing para Unilever quando ainda estava no Brasil. Quando tive a chance dessa entrevista, peguei meu currículo verdadeiro – experiências que tive no Brasil – e levei para entrevista para tentar conseguir um emprego em Marketing. Entreguei para o entrevistador e falei que eu gostaria muito de uma oportunidade de trabalhar em Marketing na empresa deles. O entrevistador me olhou como se eu fosse louca e disse: a vaga que temos é para servir na lanchonete. Aceita? Fiquei com tanta vergonha que fui embora e não respondi ao e-mail que eles me mandaram.

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As meninas do “Apt Bar”

Depois de tentativas frustradas, mas sem desistir, consegui uma entrevista num bar no centro da cidade. Quando cheguei lá, conhecei o Eduardo, que também era brasileiro, e de cara falei: não tenho a menor ideia do que eu tenho que fazer. Nunca trabalhei em bar ou restaurante no Brasil mas vou dizer que já fiz. Ele falou: “Sem problemas, eu te ajudo”. Gracas a ele, consegui o emprego e ficamos grandes amigos.

Trabalhei no “Apt Bar” por quase 1 ano e meio. Lá eu fiz grandes amizades e me diverti bastante. Trabalhava até altas horas da madrugada nos finais de semana, o que me fez chorar algumas vezes.  Mas mal eu sabia que esse emprego iria mudar minha vida para sempre…

 

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Família “Apt Bar”: bons tempos!

 Versão em inglês (In English)

Mission: Finding a job in London!

Once upon a time, there was only happiness: visiting new places, meeting new people, experiencing a new culture. But after arriving in London, the reality was that the money I had saved would only last me 2 months.

As I imagined, everything was very expensive in the UK and the exchange rate wasn’t working in my favour: with 4 reais to the pound, my savings wouldn’t last long. So the mission was to find a job desperately.

My student visa only allowed me to work 20 hours per week, as I was a full time student 3 days a week. There were not many jobs I could do apart from hospitality. So I went to Gumtree and applied for every single job from cleaner to bartender and waitress.

The best part was creating a CV that recounted my ‘experience’ in Brazil where I described my previous employment as bartender, waitress and cleaner in a hotel. Well, this little white lie got me an interview!

During the interview, the manager asked: “So what cocktails can you make?”. I said: Lots but they are only famous in Brazil. But you probably heard of caipirinha”. I’m not sure if I am a good liar but he gave me a trial shift. The task was to show him in 4 hours which cocktail I could make. My first customer asked me for a bottle of red wine and I couldn’t remove the cork – as I had never done that before in my life! Needless to say… I wasn’t invited back.

So I was invited to work as a waitress in a posh party for 200 people. Most of the ‘experienced’ staff have to carry 3 plates at the same time so all guests get the food together. I said to the supervisor I couldn’t do it because the plates were too heavy and she said it was ok. I was relieved I wouldn’t make a clown of myself dropping a plate. However, the supervisor got super angry at me when I removed salt and pepper from the table at the wrong time. Perhaps I should have had a go at carrying the 3 plates in the first place!

In another opportunity, I was called to an interview to work at Unilever’s canteen in London. I was so excited as I always dreamed about working in Marketing for Unliver when I was still in Brazil. I thought: “I’ll take my real CV – with my Brazilian experience – and ask them for an opportunity to work in their Matketing team”. The manager that was interviewing me and saw my CV looked at me as if I was crazy and said: “ The position available is to work in the canteen. Fancy it?” I was so embarrassed that I left and didn’t even reply to the email they sent to me later that day.

After all my frustrated attempts but without giving up, I got an interview in a bar in central London. When I got there, I met Eduardo who was also Brazilian, and I said: “ I never worked in a bar before and I’ve got no idea of what to do”. He said: “No worries, I can help you”. Thanks to Eduardo, I got the job and we became friends.

I worked in Apt Bar for almost 1,5 years. I made lots of friends and had a great time. I worked until late hours during weekends, which made me cry sometimes. But what I couldn’t imagine is that this job would change my life forever!

 

 por Marcela Rigg

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Recém chegada à casa dos 30, estou sempre em busca de novas aventuras, carioca, mas moro atualmente em Melbourne – Austrália. Apaixonada por música, livros, fotografia e viajar. Formada em administracão e trabalhando em marketing, adoro criar coisas novas e fazer da vida algo interessante. Motivada por: “Saia da sua zona de conforto”